Tarifaço: governo brasileiro diz que vai anunciar programa de apoio às empresas afetadas e declara que pode adotar a Lei da Reciprocidade

  • 16/07/2026
(Foto: Reprodução)
Tarifaço americano: Brasil calcula que medida atinge 18% das exportações pros EUA O governo brasileiro afirmou que o tarifaço de Donald Trump atinge 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Disse também que vai anunciar um programa de apoio às empresas afetadas e declarou que pode adotar a lei da reciprocidade. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A primeira manifestação do governo brasileiro foi uma nota, ainda na madrugada, logo depois do anúncio dos Estados Unidos. O documento também foi publicado pelo presidente Lula em uma rede social e começa dizendo que esse dia passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável; que o Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e atuou ininterruptamente junto aos Estados Unidos, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio; que seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros e que continuará diversificando parcerias comerciais e abrindo novos mercados para nossos produtos; e vai iniciar imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. Essa lei foi aprovada em abril de 2025, em meio às primeiras ameaças de Trump de taxar produtos brasileiros. Ela permite que o governo adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que aplicarem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil. Entre as medidas, estão a imposição de tarifas adicionais ou sobretaxas a bens ou serviços importados do país que impôs as barreiras comerciais, e a possibilidade de o Brasil deixar de cumprir termos de acordos comerciais já existentes com o país. Tarifaço: governo brasileiro diz que vai anunciar programa de apoio às empresas afetadas e declara que pode adotar a Lei da Reciprocidade Jornal Nacional/ Reprodução Além das questões econômicas, a resposta do governo brasileiro atribuiu a imposição das novas tarifas a um enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. Chamou de "falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros"; e concluiu dizendo que "proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências". Outros pré-candidatos à presidência da República também se manifestaram. O senador Flávio Bolsonaro, do PL, culpou o atual governo: "O presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou o seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro". Ronaldo Caiado, do PSD, criticou os concorrentes Lula e Flávio Bolsonaro, e disse que a polarização está saindo cara para o Brasil: "25% tarifando aí mais de 4 mil produtos brasileiros. Isso é uma penalização direta a quem trabalha e a quem produz no Brasil. Então, pergunto a Lula e ao Flávio: vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral? O Brasil ficou de fora da defesa de vocês e o Brasil está sendo penalizado agora". Renan Santos, do Missão, responsabilizou Trump, Lula e a família Bolsonaro, e citou o impacto a setores: "Taxaram a gente, taxaram a gente, taxaram feio e taxaram especialmente alguns setores fundamentais para a economia industrial brasileira. Estou falando do etanol, uma indústria que envolve agro e envolve produção. E estou falando agora, por exemplo, da indústria calçadista. Dois setores que assim, não digo que vão quebrar, mas vão demitir gente e vão passar por uma crise muito braba". Romeu Zema, do Novo, condenou a decisão americana e criticou a condução das negociações. "Em vez de negociar com seriedade e defender os interesses do Brasil, criou atritos desnecessários e transformou a política externa em palanque eleitoral. Se tivesse agido com responsabilidade, poderia ter evitado essa retaliação. Mas uma coisa tem que ficar clara: os erros do governo Lula não justificam o tarifaço americano. O Brasil precisa ser respeitado". Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores Jornal Nacional/ Reprodução A preocupação com os impactos do novo tarifaço ocupou a agenda do presidente Lula. Foram reuniões com ministros envolvidos nas negociações com os Estados Unidos. No início da tarde, coube ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, responder ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que havia acusado o presidente Lula de não negociar com os Estados Unidos de boa fé. "Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou o diálogo e enfatizou sua disposição de negociar qualquer tema. Nesse sentido, as declarações do secretário de Estado Marco Rubio são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo. Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações. Cito como exemplo demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros", diz Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Pelos cálculos do governo, a medida vai afetar 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Quase US$ 7,5 bilhões na balança comercial entre os dois países. O governo afirma que vai insistir nas negociações, mas em paralelo prepara um programa de apoio às empresas brasileiras afetadas. Madeira, máquinas, equipamentos elétricos, calçados e açúcar terão prioridade. Um dos pontos mais cobrados pelos Estados Unidos foi o PIX. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assegurou que o modelo vai continuar público e gratuito. Ele rebateu o argumento americano de que o PIX prejudicou o mercado de cartões de crédito. Segundo Galípolo, depois do PIX houve um crescimento de 150% no uso dos cartões. Ele usou uma metáfora para explicar o que chamou de descabido argumento de que o PIX é uma prática desleal: "Seria mais ou menos como você tentar dizer que você, ao criar o saneamento básico, prejudicou a receita de quem tem caminhão-pipa, basicamente". Outro ponto levantado pelos Estados Unidos é o suposto aumento do desmatamento no Brasil. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que os argumentos são absolutamente improcedentes e que, durante as negociações, o Brasil apresentou dados que mostram o contrário. Ele afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização. E no mesmo tom dos ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida americana como injusta e descabida. Ele explicou que adotar a lei da reciprocidade não significa nenhum ato de retaliação, mas sim de defesa dos interesses do Brasil: "Não há retaliação. O que existe é uma lei defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira, que é a reciprocidade. Aprovada por unanimidade, é um instrumento jurídico legal importante, que o governo analisará o momento e a forma de fazê-lo". O presidente do STF - Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, respondeu às manifestações dos Estados Unidos que relacionam a adoção do tarifaço a decisões da Justiça brasileira. Em nota, Fachin declarou que o Supremo atua exclusivamente com base na Constituição; que o respeito à independência judicial é parâmetro indispensável nas relações entre Estados soberanos; e que a Justiça brasileira continuará exercendo suas funções sem qualquer influência, pressão ou condicionamento de natureza externa. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Governo rejeita críticas e diz que fez mais de 30 contatos com os EUA para negociar tarifas Valdo Cruz: Governo Lula classifica decisão dos EUA como 'ideológica' e diz que equipe de Trump agiu de má-fé Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: 'Motivação política' Vieira classifica como 'ofensivas' declarações de Rubio e diz que secretário dos EUA ataca Lula com grosseria e arrogância 'Golpe comercial às vésperas da campanha eleitoral': veja como a imprensa mundial repercutiu tarifaço de Trump contra o Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/07/16/tarifaco-governo-brasileiro-diz-que-vai-anunciar-programa-de-apoio-as-empresas-afetadas-e-declara-que-pode-adotar-a-lei-da-reciprocidade.ghtml


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