'Nunca vou desistir dos meus filhos', diz mãe de crianças desaparecidas há 8 meses em Bacabal, no MA

  • 05/09/2026
(Foto: Reprodução)
Irmãos desaparecidos em Bacabal completam oito meses sem pistas O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou oito meses na sexta-feira (4), sem informações sobre o paradeiro das crianças. Eles desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. Para a mãe, Clarice Cardoso, a vida parou desde o dia em que os filhos desapareceram. Apesar da falta de respostas, ela afirma que mantém a esperança de reencontrá-los. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, disse. Ao longo dos últimos oito meses, o caso mobilizou forças de segurança, voluntários e representantes do Congresso Nacional. No entanto, nenhuma pista concreta sobre o paradeiro das crianças foi divulgada até o momento. A última visita de representantes do Congresso Nacional à comunidade ocorreu em maio. O grupo fazia parte da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, criada semanas antes. Com autorização para realizar diligências, vistorias técnicas e acompanhar denúncias graves no país, os parlamentares vieram ao Maranhão para ouvir a mãe das crianças e autoridades responsáveis pela investigação. LEIA TAMBÉM: Uma das três crianças que estavam desaparecidas é encontrada com vida no Maranhão Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA Crianças desaparecidas no Maranhão: veja cronologia do caso Família mantém esperança Os avós maternos, que moram ao lado da casa de Clarice, também tentam enfrentar a saudade com a esperança de que os netos estejam vivos. “A esperança nunca acaba, porque se tivesse acontecido alguma coisa, a gente já tinha uma resposta. A esperança sempre é de encontrar. ”, disse José Emídio Prego Reis, avô das crianças. A avó Francisca Cardoso acredita que os netos podem ter sido levados por alguém. Segundo ela, o barulho de helicópteros ainda provoca lembranças das operações realizadas na comunidade. “A esperança para mim nunca morreu. A gente chora, tem dia que a gente dorme bem, tem dia que a gente não dorme, é assim. Na minha mente eles foram levados. Alguém está com eles, escondido. E bem escondido, porque você não acha nada, ninguém não vê, ninguém não comunica nada”, disse. Primo foi encontrado três dias depois Menino de 8 anos foi encontrado na tarde desta quarta-feira (7), na zona rural de Bacabal. Reprodução/TV Mirante Ágatha e Allan desapareceram após saírem para brincar com o primo Anderson Kauã, de 8 anos, que é autista. O menino foi encontrado com vida por moradores três dias depois, a cerca de quatro quilômetros do local onde as crianças desapareceram. Segundo o pai, apesar do acompanhamento psicológico, Anderson ainda não consegue explicar o que aconteceu após o grupo entrar na mata. Após receber alta médica, Anderson participou da reconstituição do caminho percorrido pelas três crianças, com autorização da Justiça. Segundo o relato do menino, o grupo saiu para procurar um pé de maracujá e entrou por outro caminho na mata para não ser visto por um tio. Anderson também indicou uma cabana abandonada, conhecida como “casa caída”, próxima ao Rio Mearim, onde as crianças teriam passado. Buscas mobilizaram cerca de 2 mil pessoas Comunidade mobilizada: centenas ajudam nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA) Reprodução/ TV Mirante O desaparecimento mobilizou policiais civis e militares, bombeiros, integrantes das Forças Armadas e voluntários. Ao todo, cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas por terra e água. As equipes utilizaram helicópteros, drones, cães farejadores, mergulhadores e equipamentos de sonar. As varreduras passaram por áreas de mata fechada, rios, lagos e pelas margens do Rio Mearim, mas nenhum vestígio das crianças foi encontrado. Objetos e roupas também chegaram a ser localizados durante as operações. A família e a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informaram, porém, que os materiais não pertenciam às crianças. As buscas em campo foram reduzidas após as equipes percorrerem a área delimitada pela investigação. A apuração passou a se concentrar no trabalho investigativo. Investigação continua Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que os trabalhos para localizar Ágatha e Allan continuam. O órgão afirmou que não pode divulgar detalhes porque a investigação está sob segredo de Justiça. A secretaria também reforçou que informações que possam ajudar a localizar as crianças podem ser repassadas pelo telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar. Nos últimos meses, publicações falsas nas redes sociais afirmaram que as crianças teriam sido encontradas ou que seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. Também circularam relatos falsos sobre confrontos e mortes de agentes públicos. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que conteúdos falsos ou sem confirmação podem prejudicar a investigação e ampliar o sofrimento da família. INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/09/05/mae-mantem-esperanca-apos-oito-meses-do-desaparecimento-de-criancas-em-bacabal.ghtml


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