Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China
16/07/2026
(Foto: Reprodução) Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China
O Brasil vai passar a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
A investigação comercial dos Estados Unidos analisou seis temas:
comércio digital e serviços de pagamento, incluindo o PIX;
acordos tarifários;
combate à corrupção;
propriedade intelectual;
mercado de etanol;
e desmatamento ilegal.
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A Global Trade Alert, uma iniciativa suíça sem fins lucrativos, calcula que a tarifa efetiva média sobre todas as exportações do Brasil para os Estados Unidos vai subir de 11,7% para 18,2%. Assim, o Brasil passa a ser o segundo país com maiores tarifas do governo americano. A China lidera a lista, com tarifa média de 27%.
Mas por que o Brasil? O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Oliveira Barral diz que uma parte da explicação está em falta de negociação:
“Os Estados Unidos, desde o ano passado, primeiro tiveram intervenção política no processo interno brasileiro, que acabou vendo que não daria resultado com relação à suposta anistia. Depois disso, os Estados Unidos tentaram várias negociações com outros países e conseguiram, como foi o caso da Argentina, em que conseguiram acesso a minerais críticos, conseguiram acesso ao mercado digital. Conseguiram vários temas que o Brasil sequer pode negociar. E essa resistência brasileira acabou levando à aplicação dessas medidas”.
O ex-secretário afirma que, mesmo em áreas em que o governo brasileiro está disposto a negociar, como a de minerais críticos, há limites legais.
“Há uma incompreensão nos Estados Unidos sobre o Brasil, inclusive sobre como o Brasil funciona e qual é, por exemplo, a grande autonomia que o Judiciário e o Legislativo brasileiros têm. Então, ao mesmo tempo, há um desconhecimento sobre o que o Brasil pode negociar, porque alguns dos pedidos americanos, por exemplo, em minerais críticos, são inconstitucionais”, diz Welber Barral.
Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China
Jornal Nacional/ Reprodução
O professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel afirma que o governo Trump não enxerga benefícios no livre comércio e que as medidas são consequência disso:
“O governo Trump, no fundo, acredita que o livre comércio ou a abertura econômica trouxe uma desvantagem para a economia americana. O Brasil é um dos países que agora, por meio dessa investigação, foi atingido, mas haverá vários outros países, ou vários países, inclusive, estão em meio a negociações com os Estados Unidos para lidar com as tarifas que foram aplicadas pelo governo Trump”, diz Oliver Stuenkel, professor associado de Relações Internacionais da FGV.
O Brasil não é o único país a ter um sistema de pagamentos instantâneos, mas os Estados Unidos temem que o PIX implique em perda da influência americana.
“Além de um avanço tecnológico que facilita a vida do consumidor, também é uma forma de ganhar autonomia em um ambiente geopoliticamente instável, em que a relação com os Estados Unidos hoje é muito menos previsível do que era antes. Então a resposta americana, a crítica dos Estados Unidos em relação a essas plataformas, também é reflexo de um mundo em que os Estados Unidos, aos poucos, vêm perdendo influência, já que países optam por comandar e controlar os seus próprios sistemas de pagamento e, assim, reduzir sua vulnerabilidade estratégica nessa área”, afirma Oliver Stuenkel.
O embaixador e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo afirma que o governo Trump quer concessões e aponta para a negociação:
“É um pretexto para aplicar a tarifa que já estava decidida, que ia ser aplicada de toda forma. A questão é como você mitiga isso. O que você tem que fazer para reverter esse quadro? Minha percepção é que não vai ser respondendo àquelas preocupações da administração do PIX ou o que quer seja. Não vai ser isso que vai resolver. O que vai resolver é atender e encontrar uma maneira de negociar temas de interesse estratégico dos Estados Unidos”.
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